O reitor Paulo Cesar Montagner discursou no Senado em 20 de outubro de 2026, durante uma sessão especial pelos 60 anos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O pronunciamento abordou a trajetória da instituição e sua responsabilidade como universidade pública.
A fala retomou o lançamento da pedra fundamental do campus de Barão Geraldo, em Campinas, em 5 de outubro de 1966. Na ocasião, Zeferino Vaz, então presidente da Comissão Organizadora da Universidade, apresentou ideias para a instituição que começava a ser construída.
A celebração envolve gerações de professores, pesquisadores, estudantes, servidores, profissionais de saúde, artistas e intelectuais. Além de Campinas, a Universidade mantém campi em Limeira, Piracicaba e Paulínia.

O discurso relacionou a origem local da Unicamp à sua presença em São Paulo, no Brasil e no mundo. Também tratou da integração entre áreas do conhecimento e do papel da pesquisa e da produção de conhecimento para a sociedade.
A visão de Zeferino Vaz e a origem da Unicamp
Na concepção apresentada por Zeferino Vaz, a Cidade Universitária deveria reunir mestres e estudantes em uma comunidade guiada pela liberdade e pela diversidade dos conhecimentos. O objetivo comum seria, nas palavras do então presidente da Comissão Organizadora, promover “o bem-estar espiritual, físico e social do homem”.
Zeferino também criticou a estrutura das universidades brasileiras de sua época, que descreveu como “arcaica, fragmentária, estática e essencialmente individualista”. Segundo ele, esse modelo tinha dificuldades para incorporar de maneira dinâmica as conquistas da ciência.
Em oposição a essa estrutura, a proposta para a Unicamp previa diálogo entre áreas e compartilhamento do ambiente intelectual entre docentes e estudantes. A organização física da Universidade deveria expressar essa integração, uma ideia que, na leitura do reitor Paulo Cesar Montagner, se mostra pertinente diante de questões como a inteligência artificial e a mudança climática.
Pessoas, Campinas e a presença regional da Universidade
Ao abordar os 60 anos da Unicamp, Montagner atribuiu a construção da Universidade às pessoas que conceberam o projeto e às que se juntaram a ele ao longo das décadas. O reitor também incluiu as famílias nesse percurso e descreveu as contribuições de cada geração como parte da formação da instituição.
Em 1966, Zeferino Vaz apontou características de Campinas que, em sua avaliação, favoreciam a instalação da Universidade: a tradição cultural, a atividade industrial e a vocação tecnológica. Ele também mencionou a presença do Instituto Agronômico como um elemento que reforçava esse perfil.
As condições locais permitiram a criação da Unicamp e, posteriormente, a incorporação de outras instituições à sua estrutura. Segundo o discurso de Montagner, a Universidade contribuiu para transformar Campinas e a região, enquanto seus campi de Campinas, Limeira, Piracicaba e Paulínia formam uma rede baseada em diálogo, cooperação e complementaridade.
Conhecimento público e alcance nacional e internacional
Para Montagner, a Universidade pública tem responsabilidades que ultrapassam os limites de seus espaços físicos. O conhecimento produzido na Unicamp pode se desdobrar em descobertas, tecnologias e soluções, conectando a pesquisa a novas possibilidades para a sociedade.
O discurso também relacionou a produção intelectual a diferentes formas de contribuição: o pensamento crítico pode originar teorias sociais, políticas públicas, projetos aplicados e estudos de referência. Esses trabalhos, conforme a fala do reitor, ajudam a compreender desafios intelectuais da humanidade.
Montagner afirmou que o conhecimento gerado na Universidade pertence, em última instância, à sociedade que a financia e espera respostas para os problemas de seu tempo. Ao tratar do legado da pedra fundamental, o reitor associou a continuidade da instituição à responsabilidade de preservar a ideia que orientou sua criação e de manter a Unicamp necessária ao país do futuro.

