A operação de ônibus em São Paulo no segundo turno das eleições, em 25 de outubro de 2026, foi questionada após relatos de frota reduzida. A prefeitura afirmou à Justiça Eleitoral que cumpriu a ordem para operar com a frota integral de dias úteis.
A capital paulista tem o Plano de Atuação em Situações de Emergência (Paese), protocolo usado há cerca de 40 anos para cobrir interrupções no transporte. O especialista em mobilidade Ayrton Camargo e Silva disse que a experiência não ter sido aplicada às eleições causou espanto.
Passageiros de São Paulo relataram esperas superiores a uma hora, e o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou representação à Justiça Eleitoral. O caso foi encaminhado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para análise do Ministério Público.
Em Campinas, a operação especial foi estendida enquanto havia demanda, segundo a Emdec e a Secretaria de Transportes (Setransp). A comparação entre as duas cidades e as justificativas apresentadas pela prefeitura paulistana estão no centro da controvérsia sobre o serviço no dia da votação.
Ordem judicial e justificativas da prefeitura de São Paulo
A determinação da Justiça Eleitoral previa a circulação de 100% da frota operacional de dias úteis e estabelecia multa diária individual de R$ 100 mil para o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A Prefeitura de São Paulo informou ao tribunal que convocou as concessionárias em duas ocasiões para ampliar a operação e pediu isenção da sanção, alegando ter cumprido integralmente a ordem.
Segundo a administração municipal, a primeira convocação foi feita na tarde de sábado, 24 de outubro, e uma nova orientação foi enviada no domingo, 25 de outubro. As empresas deveriam manter a frota regular de dias úteis e disponibilizar uma reserva técnica mínima de 10% para terminais e áreas periféricas das zonas Leste, Sul e Norte.
Em resposta às acusações de retenção deliberada de veículos, a prefeitura afirmou que ônibus nas garagens ou em circulação com o letreiro “Reservado” faziam parte da reserva técnica. De acordo com a gestão, esses coletivos poderiam ser usados em trocas operacionais, no reforço de linhas e em deslocamentos estratégicos.
O documento protocolado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) não apresentou dados consolidados sobre veículos por linha, viagens realizadas ou intervalos entre ônibus. O tribunal encaminhou as justificativas ao Ministério Público para análise e, até o fechamento da reportagem, não havia emitido nova decisão sobre o processo.
Operação especial de ônibus em Campinas no segundo turno
Em Campinas, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a Secretaria de Transportes (Setransp) mantiveram a operação especial enquanto havia demanda. A gratuidade e a ampliação da frota, previstas inicialmente das 6h às 19h, continuaram depois desse horário, conforme as orientações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos ônibus, o embarque ocorreu pelas portas traseiras. Nos terminais fechados, passageiros sem Bilhete Único puderam entrar pelas catracas laterais de portão baixo nas estações BRT e pelos portões laterais dos terminais Central e Mercado.
A operação em Campinas contou com todas as linhas em circulação, num total de 232 linhas e cerca de 900 ônibus. A frota correspondeu à utilizada em dias úteis nos horários de entrepico, conforme as informações sobre o serviço municipal.


